Fãs de Ivete Sangalo começaram a povoar o quadrilátero logo cedo, coisa de oito da manhã. O show, parte das comemorações da independência do Brasil pela comunidade brasileira em Toronto, foi gratuito, mas a parte mais próxima do palco foi fechada para os VIP, very important people que se predispuseram a pagar 130 dólares pela localização privilegiada.
Nem a chuva iminente assustou os brasileiros que, mais para mineiros do que para paulistas, chegavam de mansinho, sem pressa, durante todo o dia, até a hora do início do show de Ivete, previsto para as cinco da tarde.

Antes dela, dividiram o palco bandas brasileiras locais, como os populares Aline Morales & Maracatu Baque de Bamba e o cantor sertanejo Marcelo Neves que, por sinal, deixou a mulherada em polvorosa quando eu falava com ele. Ai de quem desdenhe do poder da viola....


O pessoal da Batucada Carioca e José Paulo arrebentaram com um samba gostoso e honesto. Foi difícil não pagar mico e cair no samba (explico: nada de errado em cair no samba, é que minha ginga é tão boa quanto o meu chinês....).
Aliás, vai aqui uma bronquinha construtiva para o pessoal da organização do evento, que estaria impecável se não fosse a falta de divulgação das atracões que vieram antes de Ivete. Uma pena.
Tive que deixar o quadrilátero para correr para a coletiva de Ivete e Serginho Groisman, marcada para o meio da tarde e que não durou mais do que uma hora. Foi tempo suficiente para que o cenário mudasse completamente, quando de volta à festa: diferente dos gatos pingados da manhã, a praça, agora, estava repleta de brasileiros vestidos à caráter para comemorar o dia da independência do Brasil: uma nuvem de verde e amarelo encobria o pedaço, e eu duvido que alguém lembrou de que era esse o intuito principal da festa, mas tudo bem...
Ivete deu um show no palco, e os brasileiros, um show de cidadania: a festa foi maior do que a do ano passado, pacífica, colorida, vibrante, welcoming. Claro que teve lá seus momentos menos gloriosos, com uns de cocar na cabeça (ai, que vergonha....), sessões de Rebolation e encarnações do estereótipo “brasileira passista à procura”. Mas, atire o primeiro pandeiro quem é perfeito, certo?
Voltando à Ivete, assim como fez no show do Madison Square Garden, em Nova York, no sábado, a musa brasileira cantou em português e arriscou em inglês, com a música “Human Nature”, de Michael Jackson, o que, para o pessoal do New York Times, foi uma escolha “awkward” (estranha).
O jornal segue dizendo que acha muito difícil que Ivete emplaque no gosto norte-americano, ao contrário do que aconteceu com Beyoncé e Shakira. Os principais motivos seriam a “barreira da língua” e o ritmo muito carnavalesco de sua música, difícil de ser assimilado pelo povo do lado de cá do Equador. Perguntada, na coletiva em Toronto, sobre a opinião do jornal nova-iorquino, Ivete diz que se sente “extremamente honrada de ser relacionada com uma figura tão vencedora quanto ela [Shakira]”, sua “amiga querida”.
Durante a coletiva, que se passou num clima super informal, no hotel Delta Chelsea, com Ivete soltando piadinhas aqui e ali (“eu perco a entrevista, mas não a piada”), ela disse que não estava se preocupando com a falta de estrutura do palco no Yonge-Dundas Square. Para ela, o importante era trazer para seus fãs expatriados sua música, com ou sem “pano de fundo pré-estabelecido”.
Mas, estamos em Toronto, não é mesmo? Então, na coletiva, lá vou eu puxar sardinha pro nosso lado. Perguntei para Ivete se ela já conhecia a cidade, e o que esperava do público torontoniano; como boa amiga, a avisei de que o canadense é mais quietinho que brasileiro, o que ela prontamente respondeu: “A gente dá um jeito”, naquele vozerão de trovão dela. Completou, dizendo que dançar é “que nem aquele ditado: trair e coçar é só começar”. Que venham os bed bugs.
Também me disse que já havia vindo à Toronto, a convite de Nelly Furtado, para a gravação do hit que fez em dueto com a cantora canadense, "Where It Begins". Daí, olhou bem para mim e disse: “então, se você escrever de Toronto para o Brasil, não esqueça de mencionar o nome de Nelly, que ela foi fantástica”. Olha a Ivete contando com o Toronto Para Insiders para dar o recado! Pode deixar, Ivete, que eu escrevo!
Nos dois dias que passou por aqui, Ivete teve a impressão de que Toronto tem “uma estrutura nova-iorquina, mas com uma calmaria de cidade menor. Não sei se é impressão minha. Eu gostei daqui”. E, garantiu que, depois de Ivete, Toronto não será mais a mesma. Estou com ela nas duas observações.
Ao final do espetáculo, concluo que a mensagem de Ivete foi coerente, dentro e fora do palco: ela cantou para seus fãs brasileiros, revisitou canções antigas do seu repertório, como a versão axé de “Eva”, “Beleza Rara” e o clássico “Sorte Grande” ou, como é mais conhecida, "Poeira" (o ponto mais alto do show), e comandou a coreografia do arrasta-pé coletivo. Bateu muito papo e disse que a ocasião não era para muita formalidade sugerindo, até, que o palco fosse transformado num grande churrasco.

Enfim, um show para gringo ver e brasileiro matar saudade de ser brasileiro.
Axé.
Se nao tivesse tido divisao de classe em praca publica teria sido perfeito!
ResponderExcluirPois é, Cris, tenho que concordar que a área VIP não pegou muito bem, não. Mas, o show foi bonito e a galera mostrou que sabe se divertir, dentro ou fora da corda...um abração
ResponderExcluirDe fato aquela separacao entre VIPS e a galera foi o ponto fraco da festa, tenho sempre ido ao Brazilian Day NYC, mas com a Ivete aqui, eu tive que ficar...espero que ano que vem nao tenha essa separacao, e area VIP que nem lotou e ficou aquele vazio entre o povo da frente e a galera que queria dancar e chegar perto da Ivete..abracos de ottawa - Dailson ( eu sou o que esta segurando a bandeira do Canada).
ResponderExcluirAh, eu me lembro! Olá, Dailson! bom te ver por aqui. Pois é, o cercadinho não pegou muito bem, não..mas, quem sabe o organização aprendeu e lição e faz mais bonito ano que vem. Te vejo em TO em 2011! Um abração!
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